A história do dia contou segredos com a hora do almoço. Sentou-se olhando por entre os vidros da janela, que não é limpa a mais de uma semana. Voltou a olhar, segurou na mão e pediu um beijo. A canção antiga tocou como nova para o momento. O dia resolveu não emitir mais opinião e pôs-se a sonhar. Rabiscou linhas, protegeu-se do ciúme. Até sonha, entre tantas coisas sonhar é o mais certo. Vamos repudiar a segunda feira com trago de saudade, vamos esquecer que mês quem vem tem feriados, vamos mudar o que está errado. Vamos, mas somente vou acompanhado com lembranças daquilo que proporciona-me saudades. Não vou escutar escolher o outro lado rua. Talvez não precise mais procurar no escuro minhas mãos gélidas com receio. Talvez não procure mais, já encontrei e isto satisfaz. E ter um nome, não refaz a condição de querer apresentar felicidade. Em certos momentos não ser apenas um nome, um título, um retrato é um condição de felicidade proporcionada.
As coisas mais belas e doces da vida são as mais simples.
Fuga da realidade
Escapismo da idoneidade
Noite sonhada
Visão decorada
Porta enamorada
Tudo é visão estampada
Em doses de felicidade.
Bruno
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
domingo, 9 de setembro de 2007
Fugir do escuro

"Perfeição demonstrada é o vôo exuberante das aves e seus assovios afinados.
As outras perfeições são desconfiadas de acontecerem longe da realidade.
A imaginação permite transpor a exuberância das aves e a desconfiança da realidade.
Imaginar muda a cena em acontecer. Ludicamente mudamos até mesmo aqueles velhos retratos empoeirados"
O feriado chegou, trouxe palavras amigas, lembranças antigas e dualidade entre certas condições em apresentar-se em meio às cortinas entre fechadas. As fotos, descrições cômicas dos encontros familiares. Nostalgia em alta. A idade chega sem avisar, certas vezes a ânsia de crescer atropela as fases da vida. Somente com certas canções o revival acontece. Durante mais que os minutos musicados. Quando a lágrima caí, não escorre pelo peito, desvia e lentamente percorre o braço ainda com aroma do gosto das tardes de 2001. É um filme. Atentado contra o Wall Trade Center. Aviões no céu. Pânico. A saudade tem plano de fundo esta fatídica tragédia. Mas, como são doces tudo que o passado mesmo sem contrato estabeleceu. João Gilberto já cantarolava na década de 60 “Chega de Saudade”. Agarrando-se a um gancho drummondiano e um pequeno complemento – a porta estava aberta e a saudade apareceu. O barulho da casa faz bem aos ouvidos e extasiam o coração. A veneziana esmaltada de verniz é anunciante do vento. A mesa bagunçada do quarto anuncia várias produções nesta região norte de Curitiba. As frases precisam serem a descrição exata do seu autor. Não podem omitir uma identidade, para disfarçar a realidade. O personagem nasce com uma palavra, navega entre idéias e finalmente ganha um enredo. Muitas vozes de personagens protagonizam sonhos. Sonhar é ludicamente enxergar a realidade sem desprezá-la por completo. Em semana que as provas são belas, constata-se o gosto de saber que a estrada longa, merece destaque.
São tantos
Destes tantos
Recebo sorriso, perguntas
E quase no fim, permito dizer
Obrigado.
A sala de aula é fantástica, identificar que com uma palavra você muda uma história, fazem da vida um sentido próprio, entre tantas coisas errôneas.
Bruno
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Incondicional comédia diária

A rotina não tem mais talento para continuar rotina. Cada noite de domingo, preparo a mochila, olho com demagoga saudade para as paredes e falo até mais. Infelizmente nunca será felizmente. Então, dou-me por satifesito em aceitar a condição proposta pela vida. Saudades será sempre um sentimento, como temos do final de semana, quando bom, logo ao deitar para dormir na noite de domingo. O tempo disparou os ponteiros, setembro e tão agora e a primavera está quase estacionadas.
Começar
sempre estamos a começar.
Começamos a semana
começamos a dormir
começamos conversar
começamos a tarde de terça-feira
começamos a vida
sempre atenta em acontecer.
Começamos e começamos.
Hoje
mais uma semana
COMEÇAMOS.
Pelo avesso
começamos.
O coração lúdico começa
satisfeito
começa deletrear
palavras para apresentar
a porta do teatro
colorida com tinta
na composição mais singela da vida.
Canções estacionadas. Quero escutar. Poemas incabados, vou terminar. Vícios sustentados pela obsoleta mania, será contragosto de não segurar a caneta. Roteiro vou rodar. Dormir, a insônia não quer deixar. Futebol, enfim sorri. Amigos, muitos distantes. Palavras não são o bastante. Mas, percorrem lacunas verdadeiras do que realmente penso, crio e imagino. Aquele beijo até parece cinema percorrendo o poema. Ainda que suje as mãos com tinta de jornal, as letras grudam nos seus dedos, mas não marcam suas idéias. A história, era mais interessante quando estória era permitido. A timidez não sabe o que dizer. Fecha a cortina. Espera amanhecer.
Bruno.
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Basta

Os problemas da sociedade são vários, o mais temido e assustador, infelizmente se faz presente: a violência. Martin Luther King deixou uma frase que ecoa no momento " o que me preocupa não é o grito dos violentos. É o silêncio dos bons. Atualmente o silêncio não é mais tão silencioso. Raspa lágrimas. Sonha com justiça. E faz a pergunta. Até quando somos obrigados a ser reféns de uma sociedade deteriorada de valores. As esquinas lotadas de gente passando necessidade. E a impunidade, ela passeia livremente, sorridente pelos arredores da cidade. Gostaria de escrever sobre tantas coisas interessantes. Mas a comoção estupefata do meu coração, não permite. Talvez seja um desabafo. Sei que o ponto final da indagação não será a solução. O silêncio dos bons não pode ser herdado. Os bons vão as ruas para protestar. Balas perdidas são distribuidas. Crimes hediondos, sem ninguém para responder, são motivos para agregar inocentes retirados do seio dos seus familiares e amigos, que ao lado da saudade provocada, precisam arrumar forças para viver (sobreviver).Toda forma de violência é estúpida. Queria uma fórmula de ajuda mais eficaz que simples palavras. A paz é artigo válido e necessário. Sempre presente. Desconfio ela ser um sonho. Nesta madrugada de segunda, fica o gosto de o mundo melhor ser tracejado em poemas, páginas, declarações. A realidade está angustiante. Cansei, cansamos. Receio que cansaremos muitas vezes ainda. Queira eu estar enganado na frase anterior. Basta pensar assim.
Parodiando Ferreira Gular:
não há vida
só cabe no poema
o homem com dor
a mulher que sonha
a vontade de paz
o poema pessoas
reflete
pensar.
Bruno
só cabe no poema
o homem com dor
a mulher que sonha
a vontade de paz
o poema pessoas
reflete
pensar.
Bruno
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Em dó menor.
[ Céu de mais um lindo e diferente final de tarde]O gosto de lutar
É saboreado com a sensação
Da realização do sucesso.
Quem sabe o nome
Meu nome
Apareça.
Mas muito quem sabe
Não.
Nada muda
O trajeto do sonho
Despertou
O pingo da chuva
Caí sobre o asfalto febril
Dos meses seqüentes primaveris.
Música desafinada
Em acorde menor
Poemas em espanhol
Prenúncio de chuva
Na madrugada iniciante da semana.
Festival de Cinema em Gramado
Visão embaçada
Nas lágrimas
Condizentes
Com o vou estar lá
Com o meu nome na legenda.
Camões, Renato Russo e o amor.
Tudo passa
O amor fica
Para completar
Tudo o que foi esquecido em seu nome.
A semana começa
A estrada espera
O sono desperta.
Canção anos 80
Telefone não toca
A tarde não foi vazia
E valeu o dia.
É saboreado com a sensação
Da realização do sucesso.
Quem sabe o nome
Meu nome
Apareça.
Mas muito quem sabe
Não.
Nada muda
O trajeto do sonho
Despertou
O pingo da chuva
Caí sobre o asfalto febril
Dos meses seqüentes primaveris.
Música desafinada
Em acorde menor
Poemas em espanhol
Prenúncio de chuva
Na madrugada iniciante da semana.
Festival de Cinema em Gramado
Visão embaçada
Nas lágrimas
Condizentes
Com o vou estar lá
Com o meu nome na legenda.
Camões, Renato Russo e o amor.
Tudo passa
O amor fica
Para completar
Tudo o que foi esquecido em seu nome.
A semana começa
A estrada espera
O sono desperta.
Canção anos 80
Telefone não toca
A tarde não foi vazia
E valeu o dia.
Bruno
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
[ há 20 anos as estrelas eternizavam Drummond em fragmentos de poesia no céu.]Estrelas que quase não beijam mais o asfalto. A lua que acordou de mal humor e parece não querer esconder-se entre nuvens. Luzes enfraquecidas fazem dos postes meros decoradores de avenidas. Noites coléricas, passadas. Volta-se para a expressão das palavras inoperantes de uma quarta-feira, próximo ao meio dia. Ruídos de uma rádio AM com canções as quais não satisfazem o corpo e longe ficam de delirirar o espírito. Em semana de decisão é difícil tecer argumentos nunca antes explorados. Por horas antes sente o gosto doce de quem sabe mais um sonho realizado. Bom saborear o aroma do perfume da primavera que aproxima-se. E agora José. O grande poeta com simplicidade escreveu. Perdido na poesia Drumondiana. Restrito a ser personagem da Quadrilha, mais um apenas. Passeia pela leitura de páginas nem sempre atraentes. Televisão destoa companheira do ócio obrigatório. Fizeram assistir uma entrevista muitissímo boa do escritor peruano Mario Vargas Llhosa. Feliz pelo contéudo e por não precisar utilizar-se das legendas. O que começou com obrigação, finalizou com obrigado. Futebol, antes um fanatismo, hoje, resume-se apenas à uma frase de Nelson Rodrigues "torcida vaia até minuto de silêncio". Adaptando. Descontentamento vaia até time do coração. Marx e o socialismo de classes é sensacional. Frase solta, sim. A saudade do retrato não quer afago. Desculpa do ciúme é explicar desejo. A voz não tem endereço, mas conduz ao beijo.
Quando foi perdoado
omitiu mentiras guardadas
destas encenadas
com noites musicadas.
Alento do tempo
insistente em percorrer
fagulhas enciumadas
do jantar comemorado.
Quando perdoado
esqueceu de dizer
o quanto não precisa
mais sonhar
por não te-la
esperando-o
na estação
onde perdeu o coração.
Bruno
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Começar sempre.

[A bela Monica Vitti na capa L´Awentura de 1960]
Quantas palavras lembram momentos que teimam em aparecer na hora em que os olhos já não descartam esquecer. E tantas formas tem a força de reprender passados estirados ao chão, como fossem apenas lágrimas em tardes de verão. O sono faz do sonho uma realidade degustante da realidade. E cenas de cinema surgem dentro da gente. Existe a flor de papel ao lado da lápide onde a atriz encosta a cabeça e chora. A lembrança não quer ser retirante e insiste em aparecer. A semana faz do dias alguns longos e outros saboreados de saudades.Notícias bombardeam os momentos. Em apenas dois dias a eternidade ganhou dois dos maiores cineastas. Michelangelo Antonioni e Ingmar Bergman foram dirigir seus filmes com a visão do alto deste mundo, de certa forma, caótico e caduco.O cidadões italianos, suecos e todos os amantes do cinema estão em luto com a perda destes dois gênios. Mas, o final não é final, como fizeram tantas vezes nas telas, existem os créditos, que levam nomes, e músicas que levam sobrenomes. Uma canção para saborear a madrugada. Uma olhada nas estrelas a sorrirem entre as nuvens. O céu a noite é uma certeza de beleza eterna. Compensa iluminando entre palavras e coesões sentidos para entreter a insônia.
Não faz da minha esperança
prato para consumir em noites de teatro
não faz da tua angústia
cerimônia para estrelar retrato
não faz da indiferença
pretexto para o desejo
não faz assim
que ainda vai lembrar de mim.
O telefone não toca. Talvez nem queria atende-lo.
A semana começa e nem sei por onde passeio com tantas coisas para sonhar. Ainda sobra tempo para praticar o sonho não censurado de apenas começar.
Bruno
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